terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Lições de sábado 37

Perdoar quem nos magoou é a única forma de sair da mágoa. Difícil como possa parecer, é o gesto extremo de amor para aquele que amamos tanto e nos desprezou. "Nascemos para amar aqueles que mais nos magoam", disse Lawrence Durrell e eu acredito nisso, pois só o extremo amor pôde me salvar da extrema mágoa.

5/02/2013 - 19h30



 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Lições de sábado 36


Uma das coisas que menos queremos lidar é com a perda. Mas em vez de encará-la pelo que deixamos de ter ou fazer, temos de ver o que ganhamos com essa perda, por mais difícil que seja. Por vezes, ganhamos mais tempo, ganhamos amigos, ganhamos mais espaço, mais dinheiro, outras chances, vamos a outros lugares, fazemos outras coisas. A perda é a porta de saída para algo novo. Mesmo a morte, a maior das perdas, nos mostra um outro caminho. A separação, a perda em vida, é o único ganho ao reverso. Vão-se os anéis, ficam os dedos, para novos toques e novos amores.

2/02/2013  

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Lição de sábado 35

Se nascemos nus e puros (assim imaginamos), passamos a vida descartando excessos que nos impusemos, de responsabilidades, de afazeres, de atribuições e principalmente as indevidas, pois, ao nos vermos livres delas descobrimos que não precisávamos tê-las feito. Tanto tempo perdido com coisas inúteis, que só podemos entender que todo esse desgaste só serviu para poder enfim descartar o que já estava corrompido.  Levamos tempo demais para agir porque não pensamos só com o cérebro: pensamos com a alma, com o coração e com o instinto. A lógica não soma tudo e resolve a equação. Não é simplesmente com um tapa que nos livramos de infernos. É preciso decantação. E essa palavra diz tudo. Decantar é reverter o canto que nos seduziu. E quando viramos as costas sem olhar para trás, estamos realmente livres.

23/01/2013 - 1h14

 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Lições de sábado 34

A vida não é perfeita, por isso queremos aperfeiçoá-la, dar a ela contornos que ela não tem. E passamos o resto do tempo, tirando os excessos que nós mesmos pusemos, para descobrir, lá na frente, que ela só é perfeita se for mais simples.

12/01/2013

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Lição de sábado 33

Às vezes, as árvores simbolizam o que gostaríamos de ser. Há no meio do deserto da China, uma árvore seca, chamada a Árvore da Solidão. Não se sabe como ela sobrevive em meio ao deserto, nem como conseguiu brotar. Mas a visão de uma árvore em meio ao descampado traz uma sensação indescritível de reencontro. Muitos homens viajaram pelos desertos, há vários relatos de suas passagens, seja de Gurdijeff durante uma tempestade de areia, ou de Rimbaud carregado por nativos para chegar ao mar. O que mais me impressionou, no entanto, foi o de Balzac, quando ele narra o encontro com uma pantera e tenta explicar porque não deixa aquele oásis. Ele diz: "O deserto é Deus sem os homens".

Rio 13/12/2012


sábado, 22 de dezembro de 2012

Lições de sábado 32


O fim do mundo acontece todo dia. Todo dia queremos que o mundo acabe. Todo dia queremos que acabem as cobranças, os enganos, os malentendidos. E principalmente os erros, os esquecimentos, as más escolhas. Todo dia queremos não errar. Queremos que só achar acertos e coisas boas, encontros e felicidade. Todo dia pedimos que haja aquele segundo a mais que faria toda a diferença. Todo dia nos arrependemos. De não ter feito, de não ter dito, de não ter ido. Então o fim do mundo é todo dia. E no dia seguinte queremos ter a chance que não tivemos antes. De fazer exatamente o que mais gostaríamos, e de ter tempo de dizer a cada um o quanto os amamos. O fim do mundo só vai acontecer quando ninguém mais precisar de mais um dia para consertar o não deu certo.

22/12/2012


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Lições de sábado 31

Nada sabemos do que pensamos saber. Nem desconfiamos do que se tece por trás das aparências. Enquanto a Terra gira em torno de sua órbita, tramas invisíveis se fazem sob nossos olhos. A aparência revela senão um lado. O outro é preciso desvendar. O invisível contido no visível. Coincidências e sincronicidades, pequenos detalhes tentam nos avisar o que se passa onde não enxergamos. E não conseguimos decifrar essas mensagens que vêm camufladas de pensamentos esparsos, que em nada ajudam a solucionar o drama subterrâneo. Mas cada fruto contém a sua semente, cada problema, a sua solução, e só temos de esperar que venha à tona, que se revele o que não podemos mudar.