Quando pensamos amar, não amamos realmente. Aceitamos a superficialidade do amor como o amor total, quando ele não se entrega, nem se satisfaz. O amor que não beija, nem toca, não é amor. E, no entanto, ele se sustenta, como se pudesse existir, intocado. Substituímos a plenitude do amor por suas miragens, o que pensamos ver e julgamos suficiente. As distorções do amor são aparências feitas para nos enganar, que acreditamos estarem enraizadas no amor, quando os frutos que colhemos são amargos. Tanto se faz e se diz em nome do amor. Mas esse amor imperfeito, afeito a condições e subterfúgios, nunca se realiza, mesmo que aparentemente esteja ali. E tudo que pensamos dele não é sua incompletude, porém somente aquilo que imaginamos que se realizou. Amar não exige forma, mas tem seus modos. Não exige presença, mas está presente. Nunca se exime, pois é a única realidade que se dá a conhecer. Não se pode ter, mas sentimos em nós, como se fizéssemos parte dele. Buscamos o amor na ilusão do amor, e não em sua inteireza, pois para estar inteiro não podemos vê-lo. Assim como Eros que não se mostrava a Psique. Confiar no amor sem ver é um salto no escuro e, no entanto, vemos sem nossos olhos. E o que vemos e sentimos não podemos descrever.
domingo, 14 de dezembro de 2014
domingo, 7 de dezembro de 2014
Lições de sábado 171
Tenho poucas paixões, mas elas me preenchem completamente. Para começar pelo que faço, que reúne todos os elementos essenciais ao conhecimento. As histórias que ouvi desde pequena, os livros que li, os personagens que conheci, os filmes que assisti, as músicas que ouvi, as pessoas que encontrei, todas elas remetem a uma parte do meu ser que é permanente, que não muda, nem envelhece. Ali todos coexistem em plena paz, como se o tempo fosse um moto contínuo no qual pudéssemos nos mover para frente e para trás e ver todos os que conhecemos, os que vivem e os já viveram. A qualquer momento podemos voltar ao instante mágico em que Julio Cesar disse "A sorte está lançada", e essa frase ecoou por todo tempo adiante. A qualquer hora podemos recordar os grandes feitos e os desastres, os grandes poemas e seus poetas, pensar na História não como um a parte dos livros, mas algo que vive constantemente em nós. Trazer qualquer lembrança como se fosse nossa, e usá-la para o bem da Humanidade. Aprender e ensinar são lados da mesma moeda. Aprendemos enquanto ensinamos e ensinamos enquanto aprendemos. O que sei hoje, sei melhor do que sabia antes, porque repeti para mim mesma mil vezes antes de dizê-lo agora. Agora, eu sei. E o que tiver de aprender, poderei ensinar do mesmo modo, sendo essa também uma das minhas paixões. O que sabemos é permanente. E aprendemos com o novo onde ele se encaixa e o que podemos aprender com ele.
7/12/2014 - 18h17
Lições de sábado 170
O pai de Prudente de Moraes, José Marcelino de Barros, era tropeiro e percorria o sul do Brasil levando encomendas, cartas, pacotes, mercadorias e dinheiro, como esses que aparecem neste quadro de Debret. Os tropeiros faziam a comunicação com o interior, e traziam as notícias até lugares longínquos. Um dia foi morto numa emboscada por um negro escravo, que andava amuado com ele, deixando Prudente e os irmãos, ainda pequenos. A mãe D. Catarina Maria de Moraes, casou-se novamente com um coronel que não dava importância à formação escolar, e quis usar o dinheiro guardado por Marcelino para os meninos para outros fins. Catarina não arredou pé, o dinheiro seria usado para seus estudos como o falecido marido desejara. E assim foi. Depois de concluir a escola em Piracicaba, rumou para São Paulo para entrar na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, com seu irmão, o futuro Senador Moraes Barros. Ali se formaram e fizeram parte do primeiro grupo dos republicanos do país, fundando um partido, em Itu, cuja ata de constituição foi redigida por Prudente, do Partido Republicano. De origem relativamente humilde, teve formação sólida, e esteve lado a lado das principais figuras do começo de nossa República, até se tornar o primeiro presidente civil eleito por voto direto em 1894.
4/12/2014 - 19h
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
Lições de sábado 169
Há 112 anos, morria Prudente de Moraes e chegava ao Brasil, no mesmo dia, o Barão do Rio Branco, para assumir o Ministério das Relações Exteriores, vindo da Inglaterra, onde serviu como embaixador. Ao desembarcar do navio e saber que Prudente havia falecido, cancelou sua posse no Ministério, dizendo: "Primeiro, tenho que enterrar um amigo". Seu discurso em Piracicaba foi aclamado pelos presentes, no mausoléu em que Prudente foi enterrado. O Barão tinha longa amizade e gratidão para com Prudente por seu apoio, pois, ao se oporem à indicação de seu nome por ser barão para exercer funções na República, Prudente lembrou-lhes: "Ele é um bom brasileiro" .
3/12/2014 - 14h18
Prudente de Moraes (1841-1902)
José Maria da Silva Paranhos Júnior, Barão do Rio Branco (1845-1912)
José Maria da Silva Paranhos Júnior, Barão do Rio Branco (1845-1912)
Lições de sábado 168
Cerquemo-nos do que nos é mais caro, juntemos os livros, as xícaras, as cartas. Peguemos a mobília da casa, as cortinas das janelas, os tapetes sobre os assoalhos, e penduremos os quadros que mais amamos, tudo isso com abajures e castiçais, uma luz tênue e frágil, para abrigar a alma, esta a única que vive, sob todas as circunstâncias.
28/11/2014 - 21h12
Lições de sábado 167
Oscar Wilde e Fernando Pessoa morreram no mesmo dia, 30 de novembro, um em 1900 e outro 35 anos depois. Um irlandês, outro português, que também escrevia em inglês. Um aos 46 e o outro aos 47 anos. Ambos marcaram época e um estilo inconfundível, tanto na poesia, quanto na prosa. Celebrados em todo lugar, ombreiam seus contemporâneos, mas aqui os dois se encontram, tendo o mesmo dia de morte. Se o dia de nascimento é escolhido ou determinado de alguma forma, o de morte também deve ser. Se um, que celebramos todos os anos durante a vida, tem um significado, o de morte também tem. E por isso respeitamos esse dia, por marcar uma passagem no tempo, uma efeméride, marcada nas estrelas, como tudo que fazemos e nos acontece. Fernando Pessoa era astrólogo, e sabia disso, por isso criou uma data de nascimento para cada um de seus heterônimos. E de morte também. Houve um heterônimo que morreu depois dele, Ricardo Reis, e por isso Saramago escreveu um livro: "O dia da morte de Ricardo Reis". Por ela também ter sido importante.
30/11/2014 - 20h44
Lições de sábado 166
Sempre, no final do ano, muitos se vão. Como se escolhessem o final da linha para terminar a jornada. A lista daqueles que partiram ao fim do ano se alonga quanto mais se pensa que a missão deles se cumpriu. Achamos que a vida deveria durar mais, toda vez que alguém morre. Aí nos lembramos que ela não é infinita. Mas estar aqui nos faz sentir imortais. Enquanto houver vida, nós a viveremos. E não pensaremos que um dia isso acaba. Até o dia que acaba. Os que partem, vão inteiros. Nós ficamos sós com a partida.
18/12/2011 - 23h08
Na foto a família Prudente, os filhos e o casal, da esquerda para a direita: Prudente de Moraes Filho, Maria Amélia (minha bisavó), Adelaide (minha tataravó), Paula (caçula, no colo da mãe), Gustavo, Carlota, Maria Thereza, Prudente de Moraes, Antônio e Júlia.
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