domingo, 15 de maio de 2016

Lições de sábado 248

Há muita semelhança nos acasos: tudo que se parece guarda um sinal mais antigo que já estava lá.
16/05/2016 - 0h50



Lições de sábado 247


O que os olhos não veem o coração não sente, pois se vissem, o que pensariam? Imaginar, essa arte que antecede o feito, concilia o não visto com o que se pode ver. Ver na mente é concebê-lo e do concebido partimos para a forma, à execução, ao ato. Não basta querer: é preciso realizá-lo. Mãos à obra.


15/05/2016 - 1h07



Lições de sábado 246

Quem tem histórias maravilhosas para contar, escreve livros. Conta suas próprias histórias. Quantas coisas vivemos que nem contamos. E quando as reproduzimos é que percebemos como aqueles fatos nos moldaram, nos fizeram ir à frente, sem perceber. E como tivemos sorte.

14/05/2016 - 23h37


sábado, 14 de maio de 2016

Lições de sábado 245

Lendo sobre a guilhotina, e vendo fotos que tirei em Versailles em março de 2005, constato como o tempo une contradições e signos contrários. Aqui onde os Luíses de França viveram, onde o fausto e ostentação existiram, a débacle da Revolução Francesa, seguida da imperiosa ascensão de Napoleão, que só depois de Waterloo retomou seu curso, até a II Guerra Mundial, dividida entre a França do governo conivente e a Resistência, De Gaulle, Mitterrand, Sarkozy e agora Hollande, surge como símbolo deste país que serviu de exemplo para tantas nações, incluindo a nossa. A guilhotina foi usada até 1977 e desativada por Mitterrand em 1981, quase 200 anos depois de ter sido usada pela primeira vez, em 1792. Maria Antonieta, uma das mais célebres executadas, entrou na história da França pela porta da frente e morreu como herege. Lembra-me Leopoldina que se sacrificou pelo povo brasileiro, depois de dar-lhe um herdeiro e lutar pela Independência. Essas mulheres são sempre os pivôs de todas as mudanças cruciais na História da humanidade. Como uma coisa leva à outra, a Inconfidência Mineira, que aconteceu ao mesmo tempo que a Revolução Francesa, é a referência para todas as mudanças que aconteceram depois. Da França ao Brasil, a história continua. E, ao olhar por essas janelas, colocamo-nos no mesmo lugar desses Luíses, dessas rainhas que um dia governaram a França e olhamos para o horizonte, onde surgia o nosso Brasil.

6/11/2011


quinta-feira, 28 de abril de 2016

Lições de sábado 244


Há um momento em que o arrependimento não é mais necessário. Tanto fizemos para seguir em frente que não importa mais o que tivemos de deixar para trás. Importa o que ficou conosco. Importa quem está conosco. O efêmero e o permanente. Sempre viveremos essa dicotomia. O que fica e o que passa. E o que fica guardado em nós.

27/04/2016 - 00h52



quinta-feira, 21 de abril de 2016

Lições de sábado 243


Aprendemos que a vida é uma dança entre as pessoas que vêm e vão, que tudo passa, que nada fica, somente o amor que sentimos pelos outros. Amar e ser amado é a única missão terrena e, para isso, os seres humanos se confundem do começo ao fim, não sabem por que nascem, não sabem por que vivem, e também não sabem por que morrem. Mas vivemos à procura de um sentido, que só encontramos nos amigos, nos filhos, nos pais, nos que nos são mais caros. Viver é a eterna busca do amor. E se esse amor não se revela em nossos atos, não saberemos por que vivemos, porém existir já é a magia necessária para começarmos a descobrir.

21/04/2012


sexta-feira, 8 de abril de 2016

Lições de sábado 242

MIND THE GAP

Estamos tão acelerados (ou desacelerados) em relação aos últimos acontecimentos, que hoje não parece sexta, a semana passou voando, o tempo relativo difere do tempo absoluto, e nos sentimos vivendo um hiato, um lapso, um gap, até que tudo se conclua, ao serem marcadas para domingo a decisão que poderá mudar ou acertar o destino do país. Um destino que vem a cada dia degringolando mais ainda, com vazamento de delações, com novas declarações e depoimentos paralelos, com gravações inesperadas de confissões em tribunais, sentimentos misturados sobre o que vem nos assoberbando sobremaneira, que hoje parece sexta-feira, talvez segunda ou terça, porque o tempo relativo não é o absoluto e nos vemos cercados de ameaças, de hesitações, de afrontamentos que nunca esperávamos sofrer, nem testemunhar. O crime tornou-se banal. A corrupção tornou-se diuturna. A vida parece não ter mais valor diante de tanta mágoa, tanto horror. Já não bastavam as notícias ruins de cada dia, em que eu pensava: "Esta é a pior notícia que eu já li", e no dia seguinte, eu lia uma pior ainda. Estamos sendo enxovalhados com más notícias. Uma guerra psicológica está em andamento. Um golpe de notícias pavorosas. Fora os sofrimentos do dia a dia, da falta de remédios, médicos, atendimentos, salários, empregos, trabalho, dinheiro. Nunca antes na História deste país estivemos tão sofridos (ou sofremos mais, e não me lembro?). O cérebro não se lembra de dores passadas, só das presentes. A dor que passou é uma dor que superamos. E a dor presente ainda não se foi. Por isso parece maior que todas as outras. E, enquanto tudo isso durar, estaremos indo ladeira abaixo, às vésperas da primeira Olimpíada que irá acontecer no Brasil. A Copa do Mundo foi um pavor. Que a Olimpíada pegue mais leve.

8/04/2016 – 18h02

Ilustração de Julia Flohr