segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Lições de sábado 26

Quando estudava no ginásio no Santa Úrsula, li uma frase na aula de religião que me chamou a atenção: nada se parece mais com um prédio em demolição do que um prédio em construção. Sempre me lembro dessa frase toda vez que algo que está pela metade, que ainda está sendo feito, e que não se sabe bem quando nem como vai acabar. Não há ilusão maior do que a sensação de que não ficará pronto nunca. Ao olhar para a Torre Eiffel um ano antes de ficar pronta, temos essa impressão de incompletude. E sabemos muito bem como ela terminou (e que terminou) e que está lá até hoje. Mas as coisas que temos e que estão incompletas, parecem não irão terminar nem chegar à sua conclusão. É o perigo do temporário permanente. O que é para ser durante algum tempo e que perdura ad infinitum. Essas situações é que precisam ser atalhadas, para não entrarem no "vai ficando". Como a diferença entre pessoas que não sabemos se serão efêmeras ou permanentes para nós. Elas não vêm com uma etiqueta dizendo isso. Só descobrimos muito mais tarde quem se tornou permanente ou era efêmero em nossa vida. Elas dão sinais logo de cara, mas é muito difícil de ler.  Há pessoas que são capítulos e passam. Outras vão conosco até o final da história. 
 24/09/2012 - 10h01
Construction de la Tour Eiffel, photographie stéréoscopique de Léon et Levy, juillet, 1888
 

domingo, 2 de setembro de 2012

Lições de sábado 25

Tudo é movimento. A vida se movimenta, as pessoas se agitam, vão de um lado para outro, estão sempre se movendo, entrando e saindo, indo e vindo. A vida é esse constante burburinho, um frenesi de café aberto noite e dia, pessoas que se sentam e levantam, conversam entretidas sem pensar em quem está do lado, enquanto a garçonete traz e retira pratos e xícaras. Um cardápio insaciável de sentimentos e emoções, misturados a um pavê ou éclair. Vida é movimento. Viagens, partidas e chegadas. Como numa confeitaria, num restaurante, numa estação de trem, sempre passando, indo e voltando de algum lugar. 
2/09/2012 - 13h31 

sábado, 1 de setembro de 2012

Lições de sábado 24

Nem sempre começamos pelo começo. Iniciamos amizades e relacionamentos a partir de algum ponto no meio da trajetória de duas pessoas, que vão se ver e falar durante algum tempo, e acidentalmente irão deixar de se ver e falar, para subitamente perceber que mudaram de direção. Quando uma delas se lembrar da outra, poderão estar longe, e nenhuma delas saberá o que aconteceu, até que se retome o contato, a fala, a conversa de onde pararam, se é que um dia começaram a conversar. Às vezes, a amizade é tardia, mas é tão boa quanto a antiga, e sempre será amizade, se for verdadeira. 

1/09/2012 - 16h54


terça-feira, 21 de agosto de 2012

Lições de sábado 23

Ler um livro por ano é como pôr um barquinho no meio do mar. Logo, logo afunda. Para se atravessar o mar, é preciso uma frota, um porta-aviões, um transatlântico, muitos navios que nos levem para todo lugar. Nem sei quantos livros leio por ano, além dos que leio para editar. Perco a conta, porque leio vários ao mesmo tempo, simultaneamente, paro, retomo, volto a ler, releio, volto ao mesmo livro de tempos atrás, uma leitura contínua, em que vários livros formam um só.

18/08/2012

domingo, 5 de agosto de 2012

Lições de sábado 22

Seguir em frente é sempre mais difícil. Não importa o que tenha passado, o importante é que passou. Estamos livres para agir novamente e nossos atos estarão cercados de bons augúrios. As pessoas certas surgirão para nos estender sua mão e os amigos se multiplicarão. Dê mais do que recebe para ganhar em abundância, seja em atenção ou em bens. Mesmo que os seus não dobrem, nada lhe faltará.

4/08/2012 - 22h43

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Lições de sábado 21

Resistir como a rocha que suporta as ondas milhões de vezes se arremessando contra ela. Ser como a rocha, sólida em seu tempo e em sua permanência. Ser eterna, até dissolver-se por completo.

11/05/2012

Lições de sábado 20

Há muito esforço em escrever poesia, enquanto um romancista escreve mil palavras, eu escrevo dez, mas, nessas dez, digo tudo o que ele quis dizer com mil. Há uma concentração muito maior de energia e uma potencialidade muito grande, pois uma pessoa, ao ler um poema, entende o que seriam necessárias quinhentas páginas para ela entender, se fosse ler um romance. É um remédio muito mais potente. É uma cura muito mais instantânea. Então, o poeta escreve cem vezes mais do que um romancista, porque é capaz de reunir muito mais força num poema, com muito menos texto do que o outro num romance. De um romance, lembra-se de uma frase; de um poeta, um poema inteiro.  

23/02/2012