Nada sabemos do que pensamos saber. Nem
desconfiamos do que se tece por trás das aparências. Enquanto a Terra
gira em torno de sua órbita, tramas invisíveis se fazem sob nossos
olhos. A aparência revela senão um lado. O outro é preciso desvendar. O invisível contido no visível. Coincidências e
sincronicidades, pequenos detalhes tentam nos avisar o que se passa onde
não enxergamos. E não conseguimos decifrar essas mensagens que vêm
camufladas de pensamentos esparsos, que em nada ajudam a solucionar o
drama subterrâneo. Mas cada fruto contém a sua semente, cada problema, a
sua solução, e só temos de esperar que venha à tona, que se revele o
que não podemos mudar.
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
domingo, 21 de outubro de 2012
Lições de sábado 30
Aos 25 anos,
aprendi que era necessário ter opinião, escolher um lado, defender uma
posição. Não dá para ficar em cima do muro. Por medo de ferir
suscetibilidades, ou de criar contrariedades, fazemos de conta que não
temos preferência, e aí nos tornamos para
sempre acéfalos. Mesmo que se hostilize, é preciso dizer o que se
pensa, até para mudar de opinião depois, e reconhecer que errou em sua
avaliação, mas não ter nenhuma opinião, sentar em cima do muro e
concordar com os dois lados, é aceitar o inaceitável e defender verdade
nenhuma, pois não há verdade em quem não tem opinião.
21/10/2012 - 10h40
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Lições de sábado 29
Decisões de feriado: conjugar verbos
corretamente, ler todo dia uma página, um parágrafo ou um poema de um
livro, cumprimentar a todos sorrindo, desejar bom dia, boa tarde e boa
noite a todos que encontrar, escrever para alguém distante, telefonar para um amigo e, se possível, dar um beijo em todos que ama.
12/10/2012 - 11h
Lições de sábado 28
Nossa
Senhora Aparecida, rogai por nós, que somos brasileiros e vivemos à
caça da justiça, do bem-estar e da bondade. Hoje no vosso dia, quando
ajudastes três pescadores escravos a pescar peixes para o Conde de
Assumar no rio Paraíba, que vinha subindo a serra em direção à Vila Rica
de Ouro Preto, e anunciastes que um homem perderia a cabeça pela
liberdade do Brasil e depois, em 1898, abençoastes aquele
que nos deu a independência, nascendo no vosso dia, hoje na cidade que
ele deu a seu filho, que a mandou construir. Abençoai-nos, Senhora, pois
vossas mãos são ternas para nos acalentar. Padroeira do Brasil, dai-nos
a luz, para nos conduzir pelas sendas desses brasis, desta terra de
índios, negros, brancos, mulatos, cafuzos, mamelucos, caboclos e todos
os que aqui chegam de outras partes. Abençoai-nos, Mãe, no vosso dia, e abri-nos as asas da liberdade sobre nós!
Petrópolis, 12 de outubro de 2012 - 2h
domingo, 7 de outubro de 2012
Lições de sábado 27
A vida não é
perfeita, embora haja perfeições dentro dela. Entre coisas boas e ruins,
ficamos com as boas. Entre o mal e o bem, ficamos com o bem. Entre a
injustiça e a justiça, escolhemos o justo. E entre os homens de mau e bom caráter, escolhemos os bons. A vida aperfeiçoa a obra dos
homens, que, lutando para melhorar seus fins, sempre encontram agruras e
gentilezas no caminho. O caminho não é só bom. O caminho não é só mau. A
trama entre claro e escuro faz com que os matizes destaquem a obra.
7/10/2012 - 12h34
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Lições de sábado 26
Quando estudava no ginásio no Santa Úrsula, li uma frase na aula de religião que me chamou a atenção: nada se parece mais com um prédio em demolição do que um prédio em construção. Sempre me lembro dessa frase toda vez que algo que está pela metade, que ainda está sendo feito, e que não se sabe bem quando nem como vai acabar. Não há ilusão maior do que a sensação de que não ficará pronto nunca. Ao olhar para a Torre Eiffel um ano antes de ficar pronta, temos essa impressão de incompletude. E sabemos muito bem como ela terminou (e que terminou) e que está lá até hoje. Mas as coisas que temos e que estão incompletas, parecem não irão terminar nem chegar à sua conclusão. É o perigo do temporário permanente. O que é para ser durante algum tempo e que perdura ad infinitum. Essas situações é que precisam ser atalhadas, para não entrarem no "vai ficando". Como a diferença entre pessoas que não sabemos se serão efêmeras ou permanentes para nós. Elas não vêm com uma etiqueta dizendo isso. Só descobrimos muito mais tarde quem se tornou permanente ou era efêmero em nossa vida. Elas dão sinais logo de cara, mas é muito difícil de ler. Há pessoas que são capítulos e passam. Outras vão conosco até o final da história.
24/09/2012 - 10h01
Construction de la Tour Eiffel, photographie stéréoscopique de Léon et Levy, juillet, 1888
domingo, 2 de setembro de 2012
Lições de sábado 25
Tudo é movimento. A vida se movimenta, as pessoas se agitam, vão de um lado para outro, estão sempre se movendo, entrando e saindo, indo e vindo. A vida é esse constante burburinho, um frenesi de café aberto noite e dia, pessoas que se sentam e levantam, conversam entretidas sem pensar em quem está do lado, enquanto a garçonete traz e retira pratos e xícaras. Um cardápio insaciável de sentimentos e emoções, misturados a um pavê ou éclair. Vida é movimento. Viagens, partidas e chegadas. Como numa confeitaria, num restaurante, numa estação de trem, sempre passando, indo e voltando de algum lugar.
2/09/2012 - 13h31
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