domingo, 23 de junho de 2013

Lições de sábado 72

Vivemos uma sucessão de fatos que nos levam adiante sem saber onde estamos indo, e quando chegamos ao meio, entendemos que algo importante está sendo feito, mesmo sem nossa consciência. Sabemos o que estamos fazendo, mas não sabemos por quê. O porquê só é dito muito à frente, ou ao fim, quando acaba e nada mais pode ser feito. As razões, os motivos que movimentam o mundo são dispensáveis para que tudo se realize e nossa compreensão só percebe quando já passamos pelo auge dos acontecimentos. Nosso entendimento tardio serve apenas para nós mesmos. Para que aceitemos os fatos que passaram e tentemos de alguma forma viver melhor os que virão, mesmo sem todas as explicações antes de começar. 

23/06/2013 - 14h19 

sábado, 15 de junho de 2013

Lições de sábado 71

Dia de epifanias. Esperar o tempo que for por alguém porque está chegando de viagem. Encontrar amigos queridos e almoçar com eles. Buscá-los e levá-los onde quisessem ir. Tornar-se disponível o dia inteiro porque não há coisa melhor a fazer. Fazer-lhes uma gentileza. Atender o telefone e conversar com seu amor o tempo que for. Contar uma história e surpreender quem o ouve. Aceitar um presente em troca. Comer chocolate só porque ganhou de alguém. Dividir um pacote de biscoitos com café.  Programar um passeio para o dia seguinte com as mesmas pessoas. Procurar uma vaga para parar o carro e não encontrar e prometer que fará isso no dia seguinte. Achar o caminho de casa no faro, ligando o senso de direção que Deus me deu. Atravessar a Ponte Rio-Niterói no lusco-fusco depois de um dia feliz sem hora para acabar.

15/06/2013 - 19h00

 

sábado, 8 de junho de 2013

Lições de sábado 70

O que vemos é um recorte do todo. Um detalhe, uma farpa, uma lâmina. O olho capta toda a luz do mundo, mas o olhar escolhe o que ver. Vemos aquilo que mais amamos com um olhar mais profundo, mas não nos detemos sobre o que nos parece raso. Negligenciamos, por vezes, o que não nos atrai e deixamos de descobrir algo. Talvez porque não saibamos ver. Ver é um aprendizado, como o tato e o paladar. Como saber ouvir. E como não podemos olhar em todas as direções e muitos sons nos confundem, escolher o que ver é um princípio de aprendizado. Por ele, pegamos um caminho. Ver entre coisas misturadas é decifrar um enigma escondido debaixo do nosso nariz.

8/06/2013 - 11h52


segunda-feira, 3 de junho de 2013

Lições de sábado 69

Todo amor é imenso. Mas o maior amor não se obriga. Ele apenas nos instiga a amar mais e melhor. O amor é tácito. É compreendido. Compreensivo.  É indizível e subentendido. O amor é a melhor forma de perdoar. Só perdoa quem ama. Amar dura o tempo de uma vida. Mas se a vida for curta, dura o tempo que durar. Ou dura muito além da vida. O amor sobrevive a tudo - a todas as intempéries e exigências. Só o amor não duvida - nunca. Se duvidar, não é amor.

4/06/2013 - 1h34 

 

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Lições de sábado 68

Há nomes que nos seguem a vida inteira. Nomes de pais, de irmãos, de amigos, parentes, vizinhos, até do padeiro ou taxista. Há nomes que ficam e outros que vão. Mas há alguns nomes que trazem toda uma explicação. Não é só uma coincidência, é uma reverência, é um aviso, é uma anunciação. Assim é o nome Carlos. Nome de meu pai, nome de meu irmão. Nome de Drummond. Nome de Vereza. De Carlos Magno. Nome do rei de França que Joana d'Arc coroou, Carlos VII. E ainda o nome do rei inglês, neto de Mary Stuart, que perdeu a cabeça, mas a manteve erguida até o fim. Um nome com tal magnitude, nome de príncipes, de reis, de poetas e atores, e ainda de pessoas tão próximas, só quer dizer que é um nome sagrado - consagrado a mim, que me foi dado antes, como um nome próprio, um nome inteiro, um heterônimo, como outro nome em que eu me reconheça. E ao ver a repetição desse nome em pessoas tão importantes para mim, só entendo que não é um nome comum - como se fosse o primeiro, aquele que veio antes - e se perpetua. 

Para Carlos Gurgel, poeta amado.

27/05/2013 - 22h30 


domingo, 26 de maio de 2013

Lições de sábado 67

Acho que muito do que fiz, aprendi lendo contos de fadas. A Cinderela perdia o sapatinho, que as irmãs malvadas queriam usar, a Branca de Neve adormecia engasgada com a maçã e o príncipe Felipe lutava contra a bruxa para salvar a Bela Adormecida, e todas as histórias terminavam com um suspiro de alívio depois de serem superados todos os perigos.

Os perigos do dia a dia nem se comparam a essas lendas e acrescentamos muitas outras para nos ajudar a entender como ultrapassar tantos obstáculos - o tempo todo nos deparamos com dragões alados, pessoas que viram monstros, mentiras de todo tipo para tentar nos enganar e, ao final, vencemos incólumes, depois de cada batalha.

Shakespeare sabia disso quando criou suas peças, e todos os dramaturgos tinham influência dos contos que ouviram na infância, além da mitologia, do teatro grego e todos os que os precederam criando histórias para nos tirar de apertos por analogia.

Aprendemos a lidar com problemas desde crianças, e nunca acaba o labirinto de Minos, mesmo com o novelo de Ariadne nas mãos. Dia a dia despertamos para um novo embate. E o que nos sustenta é a "lufada de esperança" para nos levar adiante, cruzar os mares, apesar dos monstros marinhos, ou seja, o que for que se interpuser em nosso caminho.

Seja "A princesa e a ervilha", "O gato de botas" ou "João Pé de Feijão", essas histórias alimentam a criança que somos para encontrar as saídas criativas a cada percalço. 

Assim será sempre - diante de qualquer espera, atraso, demanda, dúvida ou questão que surja à frente que iremos espantar com as lufadas de esperança que soprarão as velas do nosso barquinho.

25/05/2013 - 23h50

domingo, 19 de maio de 2013

Lições de sábado 66


Não existe dimensão para a certeza. Sabemos ou não sabemos o que é. E ao trafegarmos as nossas avenidas, descobrimos aos poucos onde estamos indo. Podemos traçar destinos, mas o caminho é sempre descoberto pelo meio. Não há modo de se adivinhar o futuro, mesmo que se saiba o que vai acontecer, ou determinemos nossos objetivos. "Como" é feito é o segredo e esse "como" depende de todos os ingredientes que acrescentamos à receita. Nunca podemos prever o que vai acontecer, mas só "como" o fazemos enquanto estamos indo (o leme em nossa mão) depende de nós. Escolher como agir é o que determina o presente e o futuro. Quando não souber o que fazer, não faça nada. É o melhor modo de não errar. Aja quando tiver certeza, ou tiver feito uma escolha. Mesmo que a escolha seja não fazer.

19/05/2013 - 13h13