Acho
que muito do que fiz, aprendi lendo contos de fadas. A Cinderela perdia
o sapatinho, que as irmãs malvadas queriam usar, a Branca de Neve
adormecia engasgada com a maçã e o príncipe Felipe lutava contra a bruxa
para salvar a Bela Adormecida, e todas as histórias terminavam
com um suspiro de alívio depois de serem superados todos os perigos.
Os perigos do dia a dia nem se comparam a essas
lendas e acrescentamos muitas outras para nos ajudar a entender como ultrapassar tantos obstáculos - o tempo todo nos deparamos com dragões
alados, pessoas que viram monstros, mentiras de todo tipo para tentar
nos enganar e, ao final, vencemos incólumes, depois de cada batalha.
Shakespeare sabia disso quando criou suas peças, e todos os dramaturgos
tinham influência dos contos que ouviram na infância, além da mitologia,
do teatro grego e todos os que os precederam criando histórias para nos
tirar de apertos por analogia.
Aprendemos a lidar com problemas
desde crianças, e nunca acaba o labirinto de Minos, mesmo com o novelo
de Ariadne nas mãos. Dia a dia despertamos para um novo embate. E o que
nos sustenta é a "lufada de esperança" para nos levar
adiante, cruzar os mares, apesar dos monstros marinhos, ou seja, o que
for que se interpuser em nosso caminho.
Seja "A princesa e a
ervilha", "O gato de botas" ou "João Pé de Feijão", essas histórias
alimentam a criança que somos para encontrar as saídas criativas a cada
percalço.
Assim será sempre - diante de qualquer
espera, atraso, demanda, dúvida ou questão que surja à frente
que iremos espantar com as lufadas de esperança que soprarão as velas do
nosso barquinho.
25/05/2013 - 23h50