domingo, 31 de maio de 2015

Lições de sábado 204

A poesia se escreve sem palavras, mas com palavras se escreve o poema. Com palavras se diz sim ou não, embora a boca não pronuncie nenhum som quando sorri. A boca assim comportada sabe quando falar e quando calar. Há poesia no silêncio. Mas há palavras num poema. Sem dizer nada, consigo expressar o que palavras não conseguem dizer. Os olhos falam. O silêncio fala. A língua nem se move. Mas ela se agita para dizer o poema e para dar e receber o beijo. Como na música, o poema é feito de palavras e silêncios, as pausas entre os versos, quando a mente começa a girar. E nesse giro mágico estão os sentimentos, que pousam sobre os olhos e a boca, e lhes devolvem o silêncio.

31/05/2015 - 17h25


sábado, 25 de abril de 2015

Lições de sábado 203

"A imaginação é mais importante que o conhecimento". 
Albert Einstein

As coisas mais simples são as mais fáceis de entender. Por isso precisamos simplificar tudo. Para que não fique extenso, nem cansativo compreender. Afinal, só quando entendemos podemos entrar em ação. Quando absorvemos os detalhes, as explicações, os exemplos, os modelos e conseguimos estabelecer parâmetros. Se isso não pareceu simples, então ainda não aprendeu a simplificar. É o raciocínio lógico tentar estabelecer paralelos, já que raciocinar é partir de elementos conhecidos para os desconhecidos. Foi assim para entender o Big Bang. Foi assim para estabelecer a Teoria da Relatividade. Foi assim para entender que todos são iguais perante a lei. E que liberdade, igualdade e fraternidade são preceitos universais. A lei se baseia no comum, no que parece mais simples, para traçar soluções. O que for muito complicado, o cérebro descarta. É a lei do mínimo esforço. Como o rio corre para o mar, tendemos a fazer o que for mais simples. Para que depois possamos ser compreendidos.
26/04/2015 - 1h26


domingo, 12 de abril de 2015

Lições de sábado 202


Há dias perfeitos e outros nem tanto. Há dias que guardamos na memória, como a fragrância de um perfume. E há aqueles que preferimos esquecer, ou nem lembramos mais. Mas nem sempre o que lembram de nós é o que lembramos de nós mesmos. Há pausas para que tudo se acerte. Momentos que servem de intervalo para o descanso, a meditação e para relaxar. Nesses dias, nossa mente vaga para as paisagens que vimos, as palavras ditas que nunca esqueceremos. Como bolhas de sabão numa banheira de espuma. Os melhores dias são guardados junto com outros que ficam nas sombras. Somos a mistura de perfeição e imperfeição que levamos a toda parte, mas só o que fica vale a pena. Depois de algum tempo, o que foi ruim passa. E só lembramos das horas esplêndidas, prontos para criar novos momentos como esses. 

12/04/2015 - 14h38


domingo, 5 de abril de 2015

Lições de sábado 201

Lições da Páscoa
Vivemos tempos de signos contrários. Ressurreição e morte num mesmo momento. Paz e guerra. Ódio e perdão. Razão e ressentimento. Culpa e absolvição. De uma hora para outra, os que se calavam resolveram falar. E a voz do povo é a voz de todos, não só os que estão na rua, os miseráveis, os desfavorecidos. Há uma inversão de valores, uma mudança de postura, uma transformação das classes. Tocaram a parte mais sensível do corpo humano: o bolso. E essa dor ninguém perdoa. Por mais manobra política que se faça. Terão de devolver o dinheiro que tiraram. Sigam o dinheiro. Ele dirá quem corrompeu e quem foi corrompido. Seja por delação premiada ou não, a vantagem mais antiga desde Judas que traiu Cristo. Tudo leva ao calvário. À Via Crucis. Condenado o inocente, junto com os ladrões. "Pai, perdoai-os, porque não sabem o que fazem". Nunca souberam. E por isso pecam. Mas a passagem mais incrível da Páscoa, para mim, ainda é a dos discípulos de Emaús (Lucas 21,13-3), em que vieram andando com Cristo pela estrada, mas não o reconheceram, e o chamaram para cear, por já ser tarde, e quando ele partiu o pão e viram quem ele era, Cristo desapareceu... Uma passagem assombrosa, considerando quem ele era. Só por isso a Páscoa se torna ainda mais incrível. Momento de transformação, de ressurgir das cinzas, porque tudo muda, nada está parado, nem estático, por mais que permaneça aparentemente imóvel.
Domingo de Páscoa, 5/04/2015 - 17h05



sábado, 4 de abril de 2015

Lições de sábado 200

Como dizia Santa Teresinha, "Tudo passa". Tudo é passageiro, menos o motorista e o cobrador. O motorista deve ser aquele que chamamos Deus e o cobrador, o filho dele, que fica de olho em todo mundo. Boa piada, mas a verdade é que todas as coisas têm seus ciclos, todo caminho tem trechos mais longos ou mais curtos, tudo está em constante mutação, mesmo que não percebamos num primeiro momento. O que era e continua sendo pode mudar de feição, como a paisagem não parece a mesma de noite como de dia. E sabendo que tudo passa, ao terminarmos um ciclo, seguimos em frente, carregando parte do que trouxemos conosco e deixamos algumas coisas para trás, porque não somos caminhão de mudança para levar tudo nas costas. Fases são importantes, mas o melhor é que terminam e podemos começar algo completamente novo e melhor. Como entramos numa nova fase astrológica, as coisas começaram a mudar, e aceitar mudanças é o melhor modo de evitar doenças. E deixar para trás algo que já "morreu" é o quanto basta para fazermos novas coisas, ainda melhores que as primeiras. Às vezes nos limitamos sem necessidade. Ou quando a necessidade passa, é preciso fazer outra coisa. Mudar é uma delas. A cada ano, registro uma mudança crucial. Nunca estou fazendo a mesma coisa quando chega meu aniversário, em julho. Assim em março/abril, as coisas começam a mudar, para que quando chegue dia 10 de julho (Dia da Pizza), já esteja tudo em seu lugar. Agradeço pelas mudanças, por ainda acreditarem que posso fazer mais do que já fiz. 

31/03/2015 - 11h06 - 126 anos da inauguração da Torre Eiffel


Lições de sábado 199

A inveja não destrói a verdade. Fofoca, maledicência é uma indecência. E mesmo que se mordam, não vão mudar nada, nem a si mesmos. Ninguém se engrandece querendo destruir o que é dos outros por direito. Eu os perdoo, porque não se ganha nada em querer destruir o que não é seu. Construam, em vez disso, algo para si mesmos. E não percam tempo destruindo o que não lhes pertence.

1o/04/2015 - 4h30




sexta-feira, 20 de março de 2015

Lições de sábado 198

Maria Thereza Silveira de Barros Camargo, minha avó e minha mãe, Maria Thereza de Barros Camargo, com dois anos e meio, em novembro de 1930, em Limeira, alguns anos antes de minha avó se tornar a primeira prefeita do Estado de São Paulo, e minha mãe, uma das primeiras arquitetas a se formar em 1953, na Faculdade de Arquitetura Mackenzie, pioneiras em seus campos profissionais. D. Therezinha, como era conhecida, era "a única mulher que mandava em homem no interior de São Paulo". Participou da Revolução Constitucionalista, em 1932, como chefe do banco de sangue da Santa Casa de Limeira, e depois foi nomeada prefeita, em 1934, recebida por Guilherme de Almeida, em sua posse, renunciando para se candidatar a Deputada Estadual na Constituinte desse ano. Foi cassada no Estado Novo, instalado em 1937, com os demais deputados. Voltou em 1945, após a renúncia de Getúlio Vargas, filiando-se ao PSD, ao lado de Ulysses Guimarães, de quem era madrinha política. Sua casa em Limeira era visitada por políticos nacionais e internacionais que vinham aconselhar-se com ela. Em 1948, o PSD aliou-se ao PTB e teve de apoiar a candidatura de Getúlio à presidência em 1950, por determinação do partido. Nessa ocasião, recebeu a visita de Vargas, que se hospedou em sua casa durante a campanha. Era neta do primeiro presidente civil eleito por voto direto, Prudente de Moraes, e nasceu três dias antes de sua posse em 12/11/1894, e foi batizada no Palácio Itamaraty. Brincou nos jardins do Palácio do Catete entre 1897 e 1898, dos 3 aos 4 anos de idade. Foi atuante nos bastidores do partido durante todo o período após o Estado Novo até o golpe militar de 1964. Minha homenagem hoje a essas duas mulheres que determinaram o eixo e a direção da minha vida pela educação e formação que recebi. Não convivi muito com minha avó, pois minha mãe era a caçula de seis irmãos, e eu uma das últimas netas, portanto, ela já sofria de arteriosclerose quando eu era adolescente. Morei em sua casa em São Paulo, na Av. Brasil, na esquina da Rua Venezuela, entre 1959 e 1960, quando meu irmão nasceu. Lembro, no entanto, de um almoço, aos dois anos de idade, quando quis repetir o manjar branco e meu pai me impediu. Vovó, que adorava crianças (e brincava também de passa-anel comigo), disse-lhe: "Deixe a menina comer". Nunca um manjar branco teve um gosto tão maravilhoso como aquele. Como tinha feito o magistério, alfabetizou todos os filhos, e dos vizinhos que vinham brincar na chácara em Limeira. Sua plataforma política era "fechar cadeias e abrir escolas", além do voto distrital, também defendido por Ulysses. Hoje em Limeira há uma escola pública que leva seu nome. Coincidentemente, sua casa em São Paulo tornou-se a Escola Morumbi. A chácara de Limeira foi desapropriada e durante algum tempo foi a Câmara Municipal. A piscina olímpica que mandou construir para os filhos (pois adquirira o imóvel de seu cunhado para a propriedade não sair da família, depois que ficou viúva, em 1930), é hoje a piscina municipal de Limeira. Além da atividade política, assumiu, após a morte do meu avô Trajano de Barros Camargo, a fábrica de máquinas de beneficiamento de café, a Machina São Paulo, que foi vendida em 1960, para a Mercedes-Benz. Minha avó faleceu em 1974, aos 79 anos e minha mãe no ano passado, aos 86. A bênção, minha avó, a bênção, minha mãe.

8/03/2015 - Dia Internacional da Mulher




Limeira, novembro de 1930.