domingo, 17 de janeiro de 2016

Lições de sábado 235

Os livros nos acompanham por um longo tempo. Alguns desaparecem e reaparecem. Há livros mais antigos do que eu e outros mais novos. Alguns me foram dados e outros emprestados. Muitos eu comprei. Outros eu dei. Mas lembro de muitos. Outros nem sei que tenho. Nem que tive. Mas lembro de todos que não tenho mais. Os que li e que não li ainda. Os que nunca lerei. Livros são tão numerosos quanto pessoas. E apesar de nos pertencerem, ficarão para trás, para outras mãos, outros olhos e novos ouvidos. Eles ficam. Enquanto alguém os guardar.

16/01/2016 - 00h00


segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Lições de sábado 234

Há aqueles que foram feitos para se casar e ficar juntos a vida inteira, e aqueles que não foram feitos para ficar casados tanto tempo e os que não foram feitos para se casar com ninguém, porque casamento é um estado de dois que não cabe em um. Quando um é completo, não precisa de complemento. Este só os amigos salvam da solidão. A amizade é o amor mais completo que se tem, em que cada um é livre para ser quem é.

11/01/2016 - 18h36



quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Lições de sábado 233

UM CONTO DE NATAL (Charles Dickens)
Uma das histórias mais fascinantes, escrita por um dos autores mais prolíficos de seu tempo, Um Conto de Natal reúne magia, fé, caridade e consciência humana num mesmo enredo, e o poder transformador do amor. Com humor e perspicácia, Dickens conduz o leitor a uma autoanálise, para que reavalie o que tem feito para tornar os Natais (e o ano inteiro) melhores, deixando de lado os valores meramente materiais, usados apenas como meio para tocar as pessoas, e dar-lhes o que lhes falta. Esta é uma história que vale a pena ser lida e relida todo ano, que, como o Quebra Nozes e o Rei dos Camundongos, que serviu para dar origem ao Ballet de Tchaikovsky, são histórias mágicas do Natal, um momento de transformações e rituais de passagem, celebrando o nascimento Daquele que nos trouxe essa mensagem de Amor.
24/12/2015

sábado, 14 de novembro de 2015

Lições de sábado 232

O olho não é um instrumento preciso. Daí existir a "ilusão de ótica". O que pensamos ver, de fato, não vimos, mas temos a certeza de termos visto. Testemunhas oculares se enganaram redondamente quando confrontadas com fotos e filmes daquilo que julgavam ter visto. O que guardamos na memória nos trai, porque temos uma lembrança seletiva, só recordamos o que queremos guardar, o que é caro para nós, o que pensamos que teve mais importância. Uma avaliação isenta é quase impossível, pois, para todos os relatos, acrescentamos a nossa impressão, a nossa opinião, a nossa falibilidade como observadores casuais. Assim disse Baudelaire, em seu livro "Palimpsesto": "O que é o cérebro humano, senão um palimpsesto imenso e natural? Meu cérebro é um palimpsesto e o vosso também, leitor. Grandes camadas de ideias, de imagens, de sentimentos, caíram sucessivamente sobre o vosso cérebro, com a mesma suavidade da luz. A impressão era de que cada uma sepultava a precedente, mas nenhuma pereceu, na realidade".

14/11/2015


terça-feira, 27 de outubro de 2015

Lições de sábado 231

Este país anômalo que começou como colônia, tornou-se império e depois República, reuniu os personagens mais variados, os governantes mais conflitantes e passou por situações extremas em diversos momentos de sua história, pode se tornar seu próprio pesadelo ou seu sonho realizado. A lenta desmontagem e desconstrução de um partido que não corresponde ao que seus idealizadores se propuseram, a análise das ações mais abjetas para obter vantagens financeiras enquanto administram um povo imerso em caos de toda ordem, faz com que tudo que foi dito até agora perca o efeito. Vão ter de reinventar a forma de entender a si mesmos e explicar o que fazem. Ou saímos deste beco ou resolvemos tudo de outro modo. As leis heterogêneas que fazem com que sejamos tratados como joguetes, os desfavorecidos que nada têm além do alimento, nos mantêm em suspense. Nada do que passou nos garante um futuro que não temos condição de prever.

27/10/2015


sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Lições de sábado 230

O que aprendemos ao ensinar aprofunda o que ensinamos. Tornamo-nos alunos de nós mesmos, ao repetir o que sabemos. Revemos o aprendido e jogamos nova luz sobre o ensinamento. O ensinamento é maior que o mestre. Revela-se novamente cada vez que é ensinado. Aprendem juntos, mestre e aluno, a absorver o que é dito, não só nas palavras, mas no silêncio da compreensão. Despertar para algo novo nos move interiormente numa direção que não prevíamos. Quantas portas se abrem ao menor movimento. Os ouvidos ouvem e a alma se mexe. Ouvimos com o corpo todo. Entendemos com o coração o que a mente aprende. Seja um poema, seja um conto ou uma parábola tem o dom de nos tirar da inércia e colocar-nos à frente, conduzindo um fato novo. Um livro é um ser, não um objeto. Ele mudamente diz o que está escrito. Contém a sabedoria do que foi escrito. E permanece entre os homens, como palavra viva depois que os lábios se cerram. Por isso são passados, de mão em mão, e se renova sua mensagem para outros ouvidos, para outros olhos que o leem. Essa a missão dos que escrevem. A missão dos livros. Levar as palavras além de seu horizonte e mover-se com a Terra, num giro infinito.

16/10/2015 - 19h08 

Reading in the Garden, 1915, Nikolay Bogdanov-Belsky 
 

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Lições de sábado 229

Agosto acabou. Bem a desgosto. O mês de Augusto, sucessor de Júlio César, que inventou julho para si, com 31 dias. Daí, Augusto César, seu filho adotivo, depois de vencer Marco Antônio e Cleópatra, inventou agosto, também com 31 dias, mês de invejoso, de quem subjugou os demais para ascender ao poder e tornar-se imperador, que César não foi. Por isso deslocaram setembro, o sétimo mês (eram décimo), para nono lugar, e sucessivamente, outubro, o oitavo, novembro, o nono, e dezembro, o décimo, para o décimo, décimo primeiro e décimo segundo lugar, respectivamente, criando um calendário de doze meses, chamado Juliano, em homenagem a Júlio César, que tinha inventado essa mudança antes de ser assassinado em 44 a.C. Agosto, mês de desgosto. Do cachorro louco. Da morte de Getúlio e da renúncia de Jânio. Historicamente, um mês a contragosto. Ainda bem que acabou. Foi tão do contra, que não teve nem inverno.

1/09/2015