domingo, 11 de setembro de 2016

Lições de sábado 260

A revisão é uma arqueologia do poema. Vamos tirando por camadas e enxergando mais fundo. Não há como ver tudo de uma vez, nem se perguntar por quê. Há coisas que só se descobre no processo. O que pensamos no início muda no final. Fazemos pequenas loucuras todos os dias, como continuar vivos e desafiar o equilíbrio das coisas ao continuar nos movimentando. Estamos em contínuo desafio às leis da natureza. Queremos ser como somos e não como querem que sejamos. E isso é estar além do que foi pensado ou se pensou de nós. Nós que não pensamos o que somos e somos o que somos mesmo assim. É um profundo exercício fazer livros, sabendo que é uma atividade limite, limítrofe a todas as outras. Vivemos apesar e sem eles. É como se existíssemos à parte de tudo que dá dinheiro, e fizéssemos o que ninguém espera, mas mesmo assim esperam de nós. Tenho pensado muito sobre isso, já que o tempo avança e parece desafiar o que faço como o faço. É preciso mudar, adaptar-se, ser mais blogueira e Kéfera para ter mídia, milhões que visualizam youtubes e coisas afins. E se nada disso importa? E o que importa é o que somos, mesmo que ninguém saiba e não saia em mídia nenhuma? Quando vejo editores vendendo os tubos com livros sobre economia ou vampiros, ou qualquer outra coisa que não seja poesia, penso, deixe estar, eu não saberia vender minha alma para esse tipo de coisa.

11/09/2016 - 16h36


quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Lições de sábado 259

Livros de poesia são pièces de résistance. Quando tudo o mais parece fenecer, eles sobrevivem dando novo fôlego a quem pensa que está no fim. Quando não há mais nada a ser feito, os poemas são escritos, na solidão, na clausura, na prisão, no exílio. As cantigas de amor e de amigo surgiram na distância. A poesia supre quando se pensa não mais haver saída, porque é escrevendo que aprendemos a esperar. E os que leem aprendem também. Como o poema de William Ernest Henley, que Nelson Mandela leu durante 30 anos em sua cela, acreditando que um dia iria sair de lá, invicto, com a cabeça erguida, como diz o poema. Muitos poemas alimentam nossos sonhos e constroem a nossa fé. Seja escrevendo ou lendo-a, a poesia tem sido o cimento para abrirmos as estradas para onde queremos ir. 
Minha tradução para o poema de William Ernest Henley (1849-1903):
INVICTUS (1875)

Diante da noite escura que me cobre,
Como uma cova aberta de um lado a outro,
Agradeço aos deuses
Por minha alma invencível.
Nas garras vis das circunstâncias,
Não titubeei, nem chorei.
Sob os golpes do infortúnio,
Minha cabeça sangra ainda erguida.
Além deste vale de iras e lágrimas,
Assoma-se o horror das sombras,
E apesar dos anos de ameaças,
Sempre me encontrarão destemido.
Não importa quão estreitas sejam as passagens,
Nem quantas punições sofrerei:
Eu sou o senhor do meu destino:
Eu sou o capitão da minha alma.
Tradução: Thereza Christina Rocque da Motta
William Ernest Henley escreveu o poema em 1875, mas somente o publicou em 1892, numa coletânea chamada "Echoes".

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Lições de sábado 258

Um homem tem que ser completo. Se não for, nem adianta começar. Um homem de verdade aprende a conviver com você, e ama-a tanto que deixa de se importar com suas credulices. O problema que esse homem nem sempre vai estar disponível, mas quando estiver, use-o!

25/07/2014 - 9h55


quinta-feira, 21 de julho de 2016

Lições de sábado 257

A dor é um instrumento de sabedoria. Se assim não fosse, não haveria sofrimento de espécie alguma. Ele sempre nos conduz a uma compreensão que não tínhamos, mas que ocultamos em alguma parte do nosso ser. A perda, o mal entendido, a ausência, a carência, o desconforto, a doença, o medo, a rejeição são dores que mal conseguimos administrar, ou então negligenciamos. Todas essas dores são portadoras de sabedoria, até passar. Quando passam, descobrimos que aquele caminho nos tornou melhores. Mas, enquanto não passa, temos de suportar.

21/07/2012 - 15h32


sexta-feira, 17 de junho de 2016

Lições de sábado 256

Uma mão lava a outra e as duas lavam a cara. Cooperação. Reciprocidade. Empatia. Se estamos aqui para aprender o certo, o errado está por toda parte para sabermos o que não é certo. Embora, sem dicotomias, não pudéssemos distinguir o bem do mal, o universo trabalha para o Bem, mesmo quando o mal mostra a cara. Ele é o guarda que desvia o trânsito para você chegar no mesmo lugar, só que demora mais tempo.
17-06-2016 - 21h12


quinta-feira, 16 de junho de 2016

Lições de sábado 255


Tudo se acrescenta, quando pensamos perder. O maior sentido está no vazio, onde tudo se avoluma, por haver mais espaço para pensar no que nos falta.
16/06/2016 - 13h17


sexta-feira, 3 de junho de 2016

Lições de sábado 254

Numa regressão espontânea, eu cheguei a uma porta que se abria para um lugar onde vivi há 2.000 anos. Eu estava acordada, não era sonho, mas estava de olhos fechados, e tudo que via era nítido. Minha consciência incluía outra vida que passou a se mostrar como um filme guardado em minha mente. Uma voz me dizia quem eu era, e onde estava, de quem descendia, o que eu fazia, quem eram meus parentes. Eu era grega, mas vivia em Roma, na época de Cristo. Era uma vestal e morri muito velha, depois de servir 30 anos ao templo de Vesta. Eu me chamava Artemísia. Coincidentemente, é o mesmo nome da mulher de Mausolo, para quem ela mandou construir o Mausoléu de Halicarnasso, uma das sete maravilhas do mundo antigo. Viver era só servir.

5/05/2012 - 16h33