quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Lição de sábado 33

Às vezes, as árvores simbolizam o que gostaríamos de ser. Há no meio do deserto da China, uma árvore seca, chamada a Árvore da Solidão. Não se sabe como ela sobrevive em meio ao deserto, nem como conseguiu brotar. Mas a visão de uma árvore em meio ao descampado traz uma sensação indescritível de reencontro. Muitos homens viajaram pelos desertos, há vários relatos de suas passagens, seja de Gurdijeff durante uma tempestade de areia, ou de Rimbaud carregado por nativos para chegar ao mar. O que mais me impressionou, no entanto, foi o de Balzac, quando ele narra o encontro com uma pantera e tenta explicar porque não deixa aquele oásis. Ele diz: "O deserto é Deus sem os homens".

Rio 13/12/2012


sábado, 22 de dezembro de 2012

Lições de sábado 32


O fim do mundo acontece todo dia. Todo dia queremos que o mundo acabe. Todo dia queremos que acabem as cobranças, os enganos, os malentendidos. E principalmente os erros, os esquecimentos, as más escolhas. Todo dia queremos não errar. Queremos que só achar acertos e coisas boas, encontros e felicidade. Todo dia pedimos que haja aquele segundo a mais que faria toda a diferença. Todo dia nos arrependemos. De não ter feito, de não ter dito, de não ter ido. Então o fim do mundo é todo dia. E no dia seguinte queremos ter a chance que não tivemos antes. De fazer exatamente o que mais gostaríamos, e de ter tempo de dizer a cada um o quanto os amamos. O fim do mundo só vai acontecer quando ninguém mais precisar de mais um dia para consertar o não deu certo.