terça-feira, 19 de setembro de 2017

Lições de sábado 309

Diga-me por onde andas, que te direi quem és. Há lugares onde não faz sombra, há sempre luz por onde se caminha. As portas estão sempre abertas, e podemos ir a todos os lugares. Uma casa que recebe todos os que batem à porta e nela encontram um refúgio, onde há livros de todos os tipos, para todos os leitores. Assim é a visão do paraíso para Borges, uma biblioteca. E para muitos de nós, uma pequena ou uma grande livraria, onde os livros nos chamam para entrar.

19/09/2015


Lições de sábado 308

A perfeição é um sonho da criação. Quando se sonha, está se criando. Quando se desperta, o sonho se vai. Viver e criar é sonhar acordado. "Isto é um sonho?" Às vezes, a vida é entreato para o sonho. E pensar que se está sonhando nada mais é do que viver do outro lado da própria vida. A vida ao revés, como ela poderia ser, e não é. E ela é o sonho que vivemos acordados.

19/09/2011


Lições de sábado 307

Cheguei à conclusão que encontramos todas as pessoas que precisamos conhecer bem cedo na vida e só vamos reencontrá-las mais tarde quando realmente precisarmos delas. 

19/09/2011


sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Lições de sábado 306


Não há um completo silêncio. Há apenas sons que se misturam aos pensamentos, que também não cessam. Não há palavras, mas sons, como buzinas ao longe, sussurros de vento, barulho de chuva, tinir de xícaras. O silêncio total, som algum, como uma surdez temporária, não há. Mesmo o mais denso silêncio das florestas ainda é cheio de farfalhar de folhas e pios de coruja. E ouvimos o som da Terra se movendo, das estrelas trafegando no céu, e o mar que bate nas praias. Há um silêncio entremeado de sustos, como as pausas na música, audíveis em entreatos de emoção, que se sucedem como voo dos pássaros e erupção dos vulcões.
14/09/2011


quinta-feira, 6 de julho de 2017

Lições de sábado 305

A morte não dá trégua, ela é trágica, é inesperada e imensa. A vida vista desse ponto de vista torna-se frágil demais para suportar a perda. Porém, só há uma coisa que a morte dá: a eternidade. Eternidade que não temos em vida. Eternidade na mente de todas as pessoas que nos conheceram e amaram. Assim, nossos pais depois que morrem tornam-se eternos, pois para nós continua vivo em nossas mentes, e no nosso coração. Todos os que partem deixam esse gosto de saudade, essa melacolia por não podermos estar mais próximos. Mas essa mesma distância inesperadamente se inverte, colocando dentro de nós alguém que nunca partiu. 

29/04/2011 - Para uma amiga que acaba de perder o pai



quinta-feira, 29 de junho de 2017

Lições de sábado 304

Precisamos de poucas certezas. Algumas têm a ver com o amor. Outras com a sobrevivência. Outras ainda com os filhos, a família, o trabalho. Mas menos ainda com nós mesmos. Eu não precisaria de muito, mas o pouco vai se alastrando e, quando vemos, carregamos um vagão de coisas acumuladas das quais nem nos lembramos mais. Mas o que é essencial fica. Podemos perder toda a nossa bagagem, para ficar apenas com o indispensável. Somente o necessário, diz a música do urso Balu para Mogli. O extraordinário é demais. E isso deveria nos bastar. Avançamos em todas as frentes, para fazer mais, ter mais, ir a mais lugares e, ao voltarmos, temos malas demais. Despir-se ou despedir-se do que não precisamos é uma escolha. Um médico ao definir a fome disse: "Se trocar a comida por outra coisa, não é fome. Porque, se estiver com fome, não irá trocá-la por coisa nenhuma". Assim, se preferir Paris a um prato de doces, na verdade, não quer os doces. Se trocamos uma coisa por outra, aquilo que preterimos não tinha nossa preferência. Sempre temos de escolher, mesmo que não queiramos. Mas ficar com o essencial, o imprescindível, o insubstituível, aquele que é o único no mundo, isso, sim, é certeza. 

29/06-2017 - 12h46 - Dia de São Pedro

 



quinta-feira, 8 de junho de 2017

Lições de sábado 303

"Admirável Mundo Novo" (1931), de Aldous Huxley, "1984" (1948), de George Orwell e "Fahrenheit 451" (1953), de Ray Bradbury, são três livros que assombraram os leitores com suas previsões de futuro. Um escrito antes e, os outros dois, após a Segunda Guerra Mundial, tinham a visão catastrófica de futuro de seus autores, onde uma nesga de esperança se esboçava. Em geral, essas histórias se confundem no imaginário, pois todas revelam a pior face do homem, contrastada com o desejo de superação ante as intempéries. Mesmo que os protagonistas sucumbam, haja traição ou rivalidades, a mensagem que passam é que pode existir um mundo melhor, podem haver homens e mulheres melhores e que o egoísmo e o poder não sufoquem a liberdade de pensamento e de ação. Num momento em que falamos de libertar livros, de professores e de escolas, de crianças e poesia, a morte do autor de "Fahrenheit 451", Ray Bradbury, vem pontuar este momento de valorização da escrita, de mudança de hábitos, de transmissão de ideias, de novos autores, de futuro dos livros, este autor que temeu pela extinção da cultura e do conhecimento nesta ficção em que os livros são banidos e queimados, fazendo pessoas decorarem os textos e se transformarem em livros para que eles não se percam. É uma das histórias mais tocantes para mim, desde que assisti a este filme de François Truffaut, de 1966, com este ator tão carismático, Oskar Werner e a sempre querida Julie Christie, que fez o papel duplo de mulher de Montag e da amiga Clarisse, que o leva para a "terra dos homens-livro", onde se refugiam aqueles que sabem os livros de cor. Oskar Werner era austríaco e fez poucos filmes, que ficaram famosos, mas, entre eles, estão "O espião que veio do frio", "As sandálias do pescador" e "Jules e Jim". Julie Christie, entre os vários filmes que fez, atuou em "Doutor Jivago", com Omar Shariff e "O céu pode esperar", numa nova versão, com Warren Beatty.

7/06/2012 - 12h07