quinta-feira, 8 de junho de 2017

Lições de sábado 303

"Admirável Mundo Novo" (1931), de Aldous Huxley, "1984" (1948), de George Orwell e "Fahrenheit 451" (1953), de Ray Bradbury, são três livros que assombraram os leitores com suas previsões de futuro. Um escrito antes e, os outros dois, após a Segunda Guerra Mundial, tinham a visão catastrófica de futuro de seus autores, onde uma nesga de esperança se esboçava. Em geral, essas histórias se confundem no imaginário, pois todas revelam a pior face do homem, contrastada com o desejo de superação ante as intempéries. Mesmo que os protagonistas sucumbam, haja traição ou rivalidades, a mensagem que passam é que pode existir um mundo melhor, podem haver homens e mulheres melhores e que o egoísmo e o poder não sufoquem a liberdade de pensamento e de ação. Num momento em que falamos de libertar livros, de professores e de escolas, de crianças e poesia, a morte do autor de "Fahrenheit 451", Ray Bradbury, vem pontuar este momento de valorização da escrita, de mudança de hábitos, de transmissão de ideias, de novos autores, de futuro dos livros, este autor que temeu pela extinção da cultura e do conhecimento nesta ficção em que os livros são banidos e queimados, fazendo pessoas decorarem os textos e se transformarem em livros para que eles não se percam. É uma das histórias mais tocantes para mim, desde que assisti a este filme de François Truffaut, de 1966, com este ator tão carismático, Oskar Werner e a sempre querida Julie Christie, que fez o papel duplo de mulher de Montag e da amiga Clarisse, que o leva para a "terra dos homens-livro", onde se refugiam aqueles que sabem os livros de cor. Oskar Werner era austríaco e fez poucos filmes, que ficaram famosos, mas, entre eles, estão "O espião que veio do frio", "As sandálias do pescador" e "Jules e Jim". Julie Christie, entre os vários filmes que fez, atuou em "Doutor Jivago", com Omar Shariff e "O céu pode esperar", numa nova versão, com Warren Beatty.

7/06/2012 - 12h07


sexta-feira, 26 de maio de 2017

Lições de sábado 302

Em 26 de maio de 1897, Bram Stoker publicou "Drácula", sua obra mais importante, inspirada num original de Dr. John Polidori, médico de Lord Byron, que escreveu "O Vampiro", durante três dias que passaram confinados no castelo do poeta, à beira do Lac Léman, em Genebra. Por sua vez, Mary Shelley, que acompanhava o marido Percy Shelley, nessa mesma ocasião, iniciou a escrita de "Frankenstein", publicado em 1818, de onde se pode concluir ser o irmão literário de Drácula. Byron escreveu o Canto III de Childe Harold e Shelley não aproveitou nada do que escreveu. E nesse dia, em 1799, nasceu Alexander S. Pushkin, escritor russo, autor de "Eugene Onegin", um romance em versos, transformado em ópera, em 1879, por Tchaikovsky e, posteriormente, em balé. Pushkin traduziu algumas das liras de "Marília de Dirceu", de Tomás Antônio Gonzaga, publicado em Lisboa, em 1792, o mesmo ano do degredo do poeta português para Moçambique após a Inconfidência Mineira. De algum modo, esse livro (best-seller em seu tempo, com 30 edições no século XIX) chegou às mãos do poeta russo, que morreu em 1837, dois dias após ter sido ferido num duelo com o suposto amante de sua mulher. Coincidências literárias que nos dizem que a vida passa por dentro da literatura. 
26/05/2017 - 11h06




quinta-feira, 18 de maio de 2017

Lições de sábado 301


Pedro encontra Bandeira na praça

Meu amigo Pedro Lage, aos dez anos, conheceu Manuel Bandeira, apresentado pela avó, numa feira de livros, no centro da cidade. Ao saber que aquele era o poeta que escrevera os poemas que ele havia lido, imediatamente perguntou a Bandeira: "Você esteve em Pasárgada?" O poeta sorriu e disse que não. Pedro ficou inconformado. Nessa história, três coisas me assombraram: primeiro, ele ter tido a chance de encontrar o poeta, apresentado pela avó; segundo, já conhecer o poema "Vou-me embora para Pasárgada" aos dez anos de idade e, terceiro, ter feito esta pergunta a Bandeira à queima-roupa. Só um dos fatos já me encantaria, mas os três juntos, são sublimes. 

16/05/2016 - 17h12



domingo, 14 de maio de 2017

Lições de sábado 300

Tudo que fazemos reflete quem somos. Somos somente o reflexo do que pensamos. Se o que pensamos é o reflexo do que sentimos, somos o que sentimos e fazemos o que pensamos.

6/05/2014 - 12h19


Lições de sábado 299

Estamos vivendo uma nova Inconfidência, em que privilegiam os delatores da mesma corja de bandidos. Os Silvérios e Calabares são os heróis da mesma Corte que eles dilapidam. É um tempo sério em que não teremos mais em quem confiar. Perdeu-se a confiança no governo e nos governantes e dirigentes do País. O poder troca de mãos entre delatores e delatados e os que se locupletam com a dança das cadeiras. Ordem e progresso saíram de nossa bandeira. Nunca se viu tanta vergonha na História deste Brasil.

7/05/2015 - 14h05


Lições de sábado Vol. 1 e 2

A dois textos de completar 300 Lições de sábado, aproveito para anunciar a publicação de "Lições de sábado Vol. 2", que estará disponível no segundo semestre. Como este ano está muito mais devagar que os anteriores, as edições estão custando mais a sair, mas não para serem escritas. Escrever é fácil. Publicar merece muito mais tempo, dedicação e dinheiro, principalmente dinheiro, porque inspiração é o que não falta. Lições de sábado Vol. 1 está disponível no site da editora: http://ibislibris.loja2.com.br.


Lições de sábado 298

Tomados pelo amor, Tristão e Isolda, relutam, até o fim, para se entregar ao que o destino lhes reservou. Um amor maior que eles mesmos, que eles aceitam e negam, e são capazes dos maiores sacrifícios para vivê-lo. A tragédia em pleno ar. Um não pode se sobrepujar à vontade do outro. A vontade de um tem que conter a vontade do outro e irmanarem-se em seu afeto. A pureza dos sentidos os tira da realidade e os devolve ao lugar onde essa entrega se realiza, muito além deles, além de suas forças, onde eles jamais estariam se não se amassem. O que vemos diante dos olhos foi feito para nos ludibriar. Nada é tão simples quanto parece e tudo precede algo melhor. Se hoje não fiz tudo que queria, amanhã poderei ter essa chance, e vivemos mais nos interregnos do que quando estamos realizando. “A espera que é magnífica”, já disse André Breton, em seu “L’amour fou”, onde cabem todos os gestos, principalmente os de amor. Nada sabemos, mas tudo podemos fazer, mesmo sem conhecer a fundo todas as possibilidades. Quando não se sabe o que fazer, não faça nada: é melhor errar por omissão. Ninguém pode culpá-lo por não saber.

10-11/08/2013 - 19h