segunda-feira, 19 de maio de 2014

Lições de sábado 135


Vivemos a ilusão das aparências, sem sabermos ser verdadeiros. O que dizemos e o que fazemos não poderia estar mais distante da verdade. A vida que escolhemos para parecer não é a mesma que temos para nós. O que dizemos para os outros também não está de acordo com o que sentimos. Fingimos tanto que passamos a acreditar que somos outros. E quando isso não acontece? Quando dizemos a verdade o tempo todo e não nos acreditam, porque a nossa verdade não parece "verossímil"? Já ouvi isso de alguém que preferia a mentira mais bem contada do que a mais pura verdade, porque não sabia distingui-la da outra. Quem é verdadeiro sabe quando se diz uma mentira. E mesmo que acredite por algum tempo, depois passa a desconfiar. E o que é viver sob a égide da mentira? Nunca se sabe o que será dito. Mentiras envoltas em outras mentiras, que parecem não ter fim. E quando começamos a puxar o fio, ele se desenrola até o fim, trazendo-nos revelações que nem supúnhamos existir. Por que não dizemos a verdade de cara? O que nos incomoda tanto que ela não nos serve? Que máscara é melhor do que a verdade nua e crua, que tentamos dissimular a todo custo? Vivemos a ilusão das aparências para não revelar o que sabemos, o que sentimos e o que somos. E assim agem conosco aqueles que nos tentam ludibriar a nós e a si mesmos. Mas uma vez tirada a capa da beleza, vemos o corpo disforme da falsidade. E nunca mais conseguiremos vê-lo como belo.

Rio, 20/05/2014 - 00h12


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